PSIMAR'12, um ano de novidades!

quinta-feira, 29 de março de 2012 by Patrícia Claudino
Aqueles que costumavam acompanhar as notícias deste espaço lembrar-se-ão (ou não) da colaboração que tenho vindo a manter com o PSIMAR (Faro)...essa cidade que me é cara e querida! (mesmo já 1/2 alentejana, segundo alguns dirão, não esqueço as raízes...).

Este ano, para além de retomarmos a já 3ª Edição da formação "Imaginar.te: Curso Introdutório à Arte-terapia Intermodal" que tem-se vindo a revelar um espaço de encontro e crescimento...avançamos para novas propostas que possam dar ao PSIMAR um lado arte-terapêutico, e com ele, um espaço de crescimento e de descobertas, para pequenos e graúdos (entenda-se, adultos)...

Já dizia eu no anterior post que seria um até já...assim o é: aqui deixo estas duas propostas que espero possam crescer também por terras algarvias! Para os graúdos, um espaço de crescimento pessoal, entenda-se, um espaço de estar connosco e de encontro com o lado criativo de cada um!! Desafio-vos a que passem por lá, e se permitam!!! 


Para os mais pequenos, criámos um espaço chamado "a fábrica dos sentidos" onde se pretende crescer a experimentar e brincar e criar e descobrir and so on and so on. Venham, apareçam e tragam os "piquenos". Até breve!!!


É já sábado...ate já!!!
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...depois da ausência prolongada, o (enfim... esperado) regresso...

by Patrícia Claudino
...meses passados sobre as minhas últimas impressões, PONETTE...

Desde então, o lema da minha vida por inteiro tornou-se "acabar a tese do máster", reunindo para tal todas as minhas energias, tempo e mais tempo e disponibilidade...as que tinha e não tinha, como entretanto me apercebi que sempre acontece.

Finalmente terminada, "Metamorfosis del desasosiego" trata da minha reflexão sobre a importância da Arte terapia no contexto do risco social, e em particular da minha experiência com adolescentes institucionalizadas. Aqui deixo, em tom de partilha, algumas páginas introdutórias e o primeiro capítulo.




E, fica o compromisso de retomar com maior regularidade notícias de aqui, de ali, e de algumas coisas que vou podendo ver & experimentar... um até já! (mesmo)
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Nos Filmes falados na SHE, desta vez "Ponette"

domingo, 25 de setembro de 2011 by Patrícia Claudino
O mote começa, antes mesmo da sua apresentação na bela Sociedade Harmonia Eborense (no coração da Cidade de Évora), com um breve comentário escrito pelo Zé Manuel - organizador e alma deste espaço  - "Há duas maneiras de os mortos o estarem, há duas maneiras de os vivos viverem (isso). Mas não havia nenhuma maneira de levar uma criança de quatro anos a 'representá-lo', sendo actriz ao ponto de deixar de o ser: se milagre há neste filme, ele consiste, como toda a equipa técnica regista, em realizar o impossível; e não uma só vez, mas todas...".

É de Ponette que se fala...e falou-se pela noite dentro na passada segunda feira. À conversa sobre um tema que nunca é fácil de aceitar, mas que o filme nos apresenta a partir do olhar de uma criança, lá viajámos inebriados por esse olhar, pelo tema e pelos sentidos inexistentes da nossa vida. Um profundo momento de partilha, encontro e desnudar de pequenos fragmentos frágeis em nós mesmos...

Sobre Ponette e a partir do poema de Paul Celan (1966) "Não te escrevas", assim fluiram os meus pensamentos...


“A morte é uma flor”

“Não te escrevas
Entre os mundos,

Ergue-te contra
A variedade de sentidos,

Confia no rasto das lágrimas
E aprende a viver.”
Paul Celan (1966),  “Não te escrevas"

Escolho estas palavras do poema “Não te escrevas “ de Paul Celan por dele receber mais que uma dentre possíveis definições do processo de luto, um mote para a sua sobrevivência. Mote esse que à semelhança deste filme, nos convida a passearmo-nos de forma natural e explicita, pelos olhos,  vivências, elaborações e procura de sentido de uma criança de 4 anos, no seu luto pela perda (e morte) da sua mãe. Mais que um retrato do processo de luto, diria estarmos na presença de um tratado a um dos processos ancestrais, comuns e possíveis na história da humanidade: a morte do outro (e o possível confronto com o que fica vivo desse outro, em mim).
Vivemos numa época onde há pouco tempo para a tristeza (saudável) e menos ainda para o “tempo afectivo” que um processo de luto pode levar. Para “pessoas ocupadas” como nós,  este filme pode representar uma profunda aprendizagem para os que possam ver nele, mais que um filme de crianças e protagonizado por crianças, uma lição sobre a dor de perder alguém querido e a eterna verdade do que possa significar a elaboração de um processo de dor. 90 minutos de Ponette para adultos ocupados e com pouco “espaço” e “tempo” para, como as crianças, poder chorar, ficar tristes e lamentar a perda de alguém que não sentem estar preparados para deixar partir…viver entre dois mundos, acordar na confabulação e sonho dos sentidos, para confiar no rasto das lágrimas e reaprender a viver.
O convite é simples: caminhar lado a lado com Ponette na sua (nossa) narrativa de procurar sentidos à ausência de sentido que a perda possa significar. 90 minutos para olhar para os sentidos que surgem à volta desse processo que nos leva a encontrar nos outros, nas crenças e na espiritualidade, o sentido para continuarmos a aprender a viver e renascermos (com a ausência física dos outros), mas com a sua presença interior em nós.
Ponette, uma menina de quatro anos, viaja desde o despertar ressacado da ausência física da sua mãe ao reencontro com a sua mãe “interior” (não a de carne e osso, mas a sua mãe dentro de si), um processo ao qual o sentido existencial  apelida de “crescimento” e que representa um processo que decorre não somente na infância, senão ao longo da nossa vida, de como na sequência da perda dos que amamos, nos perdemos deles e de nós, até ao (possível) reencontro para dar voz ao que ficou por dizer e sentido à (sua) ausência. “Confia[r] no rasto das lágrimas e aprende[r] a viver” 
  

Évora, 19 de Setembro de 2011
Patrícia Claudino



Depois da calmia do Verão, o recomeço

sábado, 24 de setembro de 2011 by Patrícia Claudino
Algures no Parque Natural de Montesinho, Bragança

Já passou o Verão, e também já lá vão os anos em que podia dizer de forma enérgica a esta altura do ano: FÉRIAS! Na verdade, também as tive, mas já não da mesma maneira saborosa com que durante muitos anos da minha vida o disse...estarei nostálgica? a sentir-me envelhecer? se calhar, não sei! Aprecio coisas diferentes no verão e isso não é necessariamente mau! Pelo contrário! Revejo pessoas de quem gosto muito e que estão longe...o que é sempre bom. Reencontro-me em espaços meus familiares e queridos (comigo) - aprecio o que se mantém intacto e o que muda com o tempo! (Sento-me e sou arrebatada por imagens de outros momentos que guardo e outras novas que agora adiciono ao sítio "Y" e ao sítio "Z"). 

Encontro outros sítios, novos sítios e inscrevo-lhes uma história sobre eles: a primeira vez em...com...coloco a dúvida: tiro uma fotografia ou guardo só na memória?! voltarei aqui alguma outra vez?

Depois disto, regresso e trago comigo o registo do que mudo e cresço... do que ja não quero manter ou que sinto não me fazer falta e por isso deixo pelo caminho! sinto-me grata porque à minha volta muitas outras coisas vão lentamente mudando, e eu sem sair do mesmo sítio, mudo!

Chega o Outono e com ele o Recomeço...   
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Arte, Género e Identidade

quarta-feira, 22 de junho de 2011 by Patrícia Claudino



A convite do Edmundo - amigo das andanças da arte terapia intermodal, eis-me na próxima quarta feira a apresentar o "Diálogo Expressivo: Uma possibilidade de intervenção terapêutica grupal com adolescentes em instituição de acolhimento" (no distrito de Évora) na bela cidade de Barcelona, num espaço de arteterapeutas que têm em comum a criação, desenvolvimento e vivência de diferentes experiências com grupos de mulheres (ou adolescentes, como é o nosso caso, meu e do Ricardo).

Aqui deixo o programa e partilho a expectativa de um ENCONTRO com muitas aprendizagens práticas e processos interessantes à mistura...



Imagin.arte chega ao fim com "uma voz na pedra"

quinta-feira, 16 de junho de 2011 by Patrícia Claudino


("Uma voz na pedra", poema de António Ramos Rosa, poeta Algarvio...)

"Não sei
se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra. "

Foi ao som de palavras deste e doutros poemas, excertos e estrofes, que terminámos o último de 5 workshops da 2ª série da formação Imagin.arte - Curso Introdutório em Arte Terapia Intermodal e Desenvolvimento Pessoal, organizado pela PSIMAR (Faro); este último momento versava sobre "palavras / escrita(s)". 
Ficam-me gravadas na memória momentos de uma suave intensidade e alguns mergulhos sobre e com as histórias que cada um cria e se conta a si mesmo, um processo íntimo e pessoal, para alguns de descoberta e para outros de revisitação de espaços já conhecidos. E é assim, com algumas palavras e de forma breve que partilho algumas imagens deste processo, totalmente dedicadas aos que embarcaram "no tal barco...e que no regresso deixaram: uma voz na pedra".

A tod@s, o meu carinho...e obrigada!
Bem hajam...
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... Uma fonte de inspiração: Anna Halprin

quarta-feira, 15 de junho de 2011 by Patrícia Claudino




Entre Diálogo(s) Expressivo(s) e Quebrar Silêncios...(re)construir histórias: toda uma Odisseia

sexta-feira, 10 de junho de 2011 by Patrícia Claudino
Desde à algum tempo a esta parte que eu e o meu caríssimo companheiro Ricardo, de andanças por estas coisas expressivas, decidimos dar voz ao nosso projecto de intervenção terapêutica com jovens institucionalizadas (que fez e faz parte do trabalho realizado para a "Metamorfose do Desassossego: uma abordagem da Arte terapia Intermodal com populações de risco", também conhecida pela minha infindável tese do máster...). 

O nosso objectivo com este (pseudo) poster científico-artístico, pretendeu ser a documentação do nosso processo de co-terapia, fundamentado em duas abordagens expressivas que em nosso entender têm potencial construtivo juntas. Falamos do sociodrama e da arte-terapia intermodal e a esta relação chamámos-lhe "Diálogo Expressivo: Uma possibilidade de intervenção terapêutica grupal com adolescentes em instituição de acolhimento".

Entretanto e para nosso espanto, o "diálogo expressivo" tem dado primeiros pequenos passos e andou pelo International Expressive Arts Spring Symposium que decorreu este Abril passado em Lisboa e pelo XXII Encontro Nacional de Psiquiatria e Saúde na Infância, este ano realizado na cidade de Vila Nova de Gaia, em Maio...enfim, tá feito num miúdo que só faz é comer bolachas e crescer...
E estamos crentes que agora que lhe démos voz continuará a sua viagem...para outras bandas, mas isso serão já cenas de próximos capítulos...

Para já, o "diálogo expressivo" fez-me criar alguma acção e deu o pontapé de saída para uma súmula de ideias sobre a aplicação da arte terapia intermodal na intervenção com crianças e jovens vítimas de abuso sexual: trabalho que tenho vindo a desenvolver nos últimos anos. A esta súmula de ideias dei o nome de "Quebrar Silêncios...(re)construir histórias: uma abordagem terapêutica com crianças e jovens vítimas de abuso sexual infantil" baseado sobretudo no modelo psicoterapêutico de Luise Reddemann na intervenção com o Trauma.

E, para documentar esse momento, deixo aqui a brochura da Semana da Não Violência - organizada pelo Núcleo de Apoio a Crianças e Jovens em Risco do Hospital de Faro, onde a Teresa Riccou (mentora do Projecto Chapitô) abriu a semana com uma intervenção sobre a ARTE como recurso terapêutico com crianças e jovens em risco. Sugestivo, não???



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debaixo de olhares (in)discretos: uma viagem pelo corpo do outro até ao meu

quinta-feira, 9 de junho de 2011 by Patrícia Claudino
As duas semanas passadas foram literalmente "passadas" entre muitas imersões em processos arte terapeuticos, aqui e ali, de forma prática e vivencial, como foi o caso do workshop em Évora, integrado na 6ª semana da prevenção dos maus tratos, organizada pela Associação Chão dos Meninos e pela comunidade do distrito de Évora. Sob o tema deste ano "comunicação positiva", este workshop pretendeu ser subordinado a um tema geral "Artes, Expressões e Comunicação Criativa: Uma abordagem ao desenvolvimento humano " cujo mote para o processo foi...

A Arte representa desde cedo, no desenvolvimento humano, uma forma natural de expressão e comunicação, de auto-conhecimento e de exploração da linguagem interior de cada pessoa. A expressão artística pode ser um veículo de expressão e comunicação sobre o que somos, sentimos e pensamos, na relação connosco e com o mundo que nos rodeia.

Criatividade e potencial criativo estão intimamente ligados às percepções de adaptação, experiência, resolução de problemas e mudança; neste sentido, este workshop pretende, através da Arte terapia intermodal priviligiar os recursos do Lúdico, da Imaginação e da Criatividade como potenciadores de um espaço experimental de auto-conhecimento.

Daqui começou a viagem até um potencial espaço & processo experimental de auto-conhecimento, com a ajuda fundamental de um acessório muito interessante - A exposição "Uma Carta Coreográfica", uma iniciativa da Direcção-Geral das Artes, comissariada pela coreógrafa Madalena Victorino e exposta na Biblioteca Municipal de Évora, debaixo de muitos olhares (in)discretos. 
 
Nas palavras da coreógrafa: "A exposição está organizada em dois conjuntos temáticos – “duas estações”. Na primeira delas – “o corpo como adivinha” -, celebra-se a força expressiva e transformadora do corpo humano, a sua capacidade de falar “sem precisar de palavras”, e a coreografia enquanto “desenho do corpo em movimento”.
Na segunda “estação”, intitulada “a dança como fábula”, fala-se do “movimento do corpo quando este se transforma em dança”, quando “perde a sua funcionalidade”, da dança como o “jogo que o corpo faz com o espaço, com o tempo, com o peso e com a fluência da sua energia”."

Convido-vos a uma pequena viagem por algumas imagens indiscretas - Oferecem-se bilhetes de ida e volta.


Em tons de brincadeiras + criatividade, expressões e muita arte = ESTA SEMANA

terça-feira, 24 de maio de 2011 by Patrícia Claudino
Depois de um longo silêncio, em muito motivado pelo tema dos últimos 2 post's, bem como pela agitação que a minha vida leva desde há uns meses a esta parte...hoje, e já com um dia de atraso, não podia deixar de escrever qualquer coisa, o que quer que saia neste momento em que escrevo, sobre a participação da arte terapia intermodal e/ou das terapias expressivas, na 6ª Semana da Prevenção dos Maus Tratos que decorre anualmente na última semana de Maio, no distrito de e em Évora e cujo mote é dado pela Associação Chão dos Meninos.

Este ano, o tema da semana é a Comunicação Positiva, razão pela qual foram encaixados três momentos de arte-terapia nesta semana. Os primeiros 2 decorrem em contexto de Jardim de Infância e Escola, nomeadamente no "Palmo & Meio" (HOJE) e na Escola EB1 da Horta das Figueiras (ONTEM) numa sessão especial para pais e filhos, sobre algo que nos é muito caro a todos: os AFECTOS...
Toda uma experiência BALUNAR...



Um terceiro e último momento diz respeito a um workshop sobre "Artes, Expressões e Comunicação Criativa: Uma abordagem ao desenvolvimento humano" que pretende ser um dia de trabalho, com um carácter VIVENCIAL e uma abordagem à relação entre a Criatividade e o potencial criativo que se pretendem apresentar como fontes intimamente ligadas às percepções de adaptação, experiência, resolução de problemas e mudança; neste sentido, este workshop pretende, através da Arte terapia intermodal priviligiar os recursos do Lúdico, da Imaginação e da Criatividade como potenciadores de um espaço experimental de auto-conhecimento.


Este workshop irá decorrer nas intalações da DREA (Direcção Geral de Educação do Alentejo) na próxima quinta feira, das 09h30 às 17h30. Mais informações estão disponíveis no blog: chaodosmeninos.blogspot.com

25 de Abril e FMI

segunda-feira, 25 de abril de 2011 by Patrícia Claudino
Viva o 25 de Abril!! Viva a Liberdade!!!! 
Hinos de um momento perdido no tempo e presente na memória colectiva. Hinos de um ideal e de uma revolução necessária; ecos de um momento tão distante quanto presente, tão necessário quanto díficil de concretizar. Difícil porque exige algo que se perdeu no tempo: a coesão, os princípios da solidariedade e da presença de todos numa só força.

Em vez disso, vivemos tempo em que todos comentam tudo, mas ninguém se une (seja por que causas for); todos criticam todos, mas ninguém faz nada "porque de nada servirá"...e porque "é o que temos", frases típicas de comiseração por sermos pequenos, por sermos portugueses, por sermos...individualistas e profundamente egoístas; cómodos no nosso papel, incomodados com a falta de ética em que vivemos e que criticamos tanto na classe política como a nível social; comiseramo-nos porque nos sentimos conduzidos por outros para a desgraça de todos, e perdidos neste discurso "oco e vazio" que produzimos e reproduzimos até à exaustão. Vivemos à sombra do que quereríamos ser, ter e não somos, nem temos: coragem, ética e coesão.

Contra mim falo, não me excluo desta nossa sociedade e forma de ser, mas preciso de dizer aqui e hoje aquilo que neste 25 de Abril me vai na alma: a descrença em que caímos à sombra dos ideais que outrora nos deram liberdade.
Faço então minhas as palavras do José Mário, e espero poder para o ano escrever aqui algo mais crente e poético: mas não este ano e não porque "seja o que faz falta para animar a malta".

Deixo aqui, por não ser só uma manifestação ideológica, mas porque é a manifestação de tudo quanto nos vai na cabeça e no coração dos comuns mortais e não menos importante, uma manifestação artística...José Mario Branco!!


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FMI, crise(s) e Sophia - a musa do "encontro"

quarta-feira, 6 de abril de 2011 by Patrícia Claudino
Refugio-me num livro de poemas de Sophia, a velha musa do "encontro" - comigo - em momentos em que à minha volta reinam os encontros repletos de "ausências". Seja pela crise, ou pelas crises que se sentem - derivadas desta ou de outras em ebulição, quais terramotos ou tsunamis da vida; seja pela tão anunciada chegada do FMI e o encontro com a inevitabilidade das constantes incertezas e confusão na nossa vida...hoje é um dia em que mergulho neste poema e em que sinto uma vez mais, seja em que cenário for e pelas razões que surjam, como nunca podemos esquecer que somos "o único homem do meu barco".

Dias correm em que reina a desconfiança, a instabilidade e o constante receio dos cenários que cruzam a nossa vida, cheios de crise, olhares vazios, descrentes e desconfiados; ainda assim vivos! ainda assim presentes! "nessa pátria onde o vento passa (...) e nunca acordo deste sonho e nunca durmo".

autor desconhecido


Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
[…]
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.

 Sophia de mello breyner andresen
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[sonho. não sei quem sou]

terça-feira, 8 de março de 2011 by Patrícia Claudino

Sonho. Não sei quem sou neste momento. 
Durmo sentindo-me. Na hora calma 
Meu pensamento esquece o pensamento, 
Minha alma não tem alma. 

Se existo é um erro eu o saber. Se acordo 
Parece que erro. Sinto que não sei. 
Nada quero nem tenho nem recordo. 
  Não tenho ser nem lei. 

Lapso da consciência entre ilusões, 
Fantasmas me limitam e me contem. 
Dorme inconsciente de alheios corações, 
Coração de ninguém.

Fernando Pessoa, poema ortónimo datado de 6/1/1923.
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"Apanhar Sol por Dentro: uma abordagem criativa à 3ª Idade"

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 by Patrícia Claudino



















 (imagem retirada do livro: 
"Imagination als heilsame Kraft: Zur Behandlung von Traumafolgen mit ressourcenorientierten Verfahren", 
Luise Reddemann (2006)"

Depois de um início da formação/espaço "Imaginar.te" no Algarve cheio de emoções, cores e muita arte à mistura, deixo aqui um outro momento que espero que venha a ser igualmente interessante, com muitas aprendizagens e experiências na 1ª pessoa (à mistura).

A formação "Apanhar Sol por Dentro: uma abordagem criativa à 3ª Idade" surgiu de um convite da Luisa e da Associação Âncora (Stª Luzia, Tavira) em dinamizar um workshop sobre este tema, procurando ser um espaço de sensibilização para o tema da 3ª Idade, à mistura com um dia de vivencias criativas para muitas idades...sempre à luz do que podemos fazer no trabalho com os idosos!
Desta vez será dinamizada por mim em Beja, na REAPN. O seu principal objectivo passa pela conceptualização do trabalho com a 3ª Idade a partir de estratégias criativas que procurem ir ao encontro desta etapa da vida, na qual muito ainda se desinveste - não obstante a certeza de que faz sentido pensar-se sobre ela.

E porque a formação é pensada para todos os que trabalhem com idosos, deixo um trecho do Livro "Máquina de fazer espanhóis" do Valter Hugo Mãe, obra que me acompanhou no processo criativo desta formação, e que pretendo partilhar como reflexão sobre...

“nunca eu teria percebido a vulnerabilidade a que um homem chega perante outro. Nunca teria percebido como um estranho nos pode pertencer, fazendo-nos falta. Não era nada esperada aquela constatação de que a família também vinha de fora do sangue, de fora do amor ou que o amor podia ser outra coisa, como uma energia entre pessoas, indistintamente, um respeito e um cuidado pelas pessoas todas”

Valter Hugo Mãe (2010), A Máquina de fazer espanhóis, pp.280/281, Alfaguara

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Já agora, em Fevereiro...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011 by Patrícia Claudino
Caríssim@s tod@s, a minha vida desde o início deste ano pauta-se por momentos de semi-gripe ou alergias e muitos projectos a organizar, a terminar e a iniciar...podendo correr o risco de me tornar repetitiva, na verdade é nisto que a minha vida anda nos últimos tempos e creio que não será diferente de muitas outras (vidas, entenda-se). Daí que, à semelhança do mês de Janeiro, decido publicar um post dando conta de alguns workshops e formações que irei desenvolver (quer-se dizer, tanto quanto tenha público e saúde...) durante o mês de Fevereiro.

À semelhança do post que aqui publiquei o mês passado dando conta da formação "Apanhar Sol por Dentro: uma abordagem criativa à 3ª Idade" que acabou por não ocorrer em Tavira, desta vez...dia 11 estarei por essa bela localidade, após conversas e  muitas vontades da minha amiga Luisa, da sua amiga Nilza e da Associação Âncora que elas representam...

Nesse mesmo dia pelo final, convido tod@s @s potenciais curios@s e nteressad@s a participar no Curso "IMagiNar.TE: Arte-terapia  Intermodal e Desenvolvimento Pessoal", que será uma re-edição da formação que desenvolvi o ano passado por esta altura, na PSIMAR, em Faro.

Nesta edição optei por implicar o tema "desenvolvimento pessoal" por crer que o mesmo compreende e dá uma perspectiva mais real do impacto deste tipo de intervenção na vida daqueles que partilham as expressões, as terapias expressivas e a arte como linguagem pedagógica, de intervenção social e/ou terapêutica.

As sessões, à semelhança do ano passado, irão ter como mote inicial um dos diferentes mediadores artísticos que ao longo da formação se irão interligar num processo transdisciplinar com os restantes... (já veremos as novidades deste ano...)

Aqui deixo um primeiro programa divulgado pela PSIMAR e um agradecimento especial à Martine e à D. Manuela pelo apoio logístico e mais além...

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[adenda ao] International Expressive Arts Spring Symposium 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 by Patrícia Claudino
Uma vez mais, trago o tema do International Spring Symposium, porque...
1. Faltam já menos de 4 meses para a sua realização;
2. Está a ser feita uma promoção para que as pessoas se possam inscrever e pagar a prestações...
3. e sobretudo pela minha percepção de como este evento tem um carácter muito especial na minha vida, e tanto quanto já percebi, na vida de tantas outras pessoas; desde aquelas que são "fãs" e vão todos os anos, e daqueles que vão sem saber ao quê e ficam deslumbrados e os que, como eu, tendo o prazer de ter vivido já um espaço destes, numa viagem interna e externa, não se cansam de repetir aos quatro cantos do mundo, como esta experiência é não só demasiado especial, como por ser em Portugal, isso me deixa ainda mais emocionada e com este desejo de partilhá-lo com quem me tome a sério, e resolva empreender esse esforço económico...e arrisque!!

E com estas palavras de "partilha" vos deixo as palavras da Carla...
 

"O que são as Terapias Expressivas/ Arte-Terapia Intermodal?

A Arte tem sido desde os primórdios da humanidade um veiculo de expressão que tem permitido ao ser humano explorar a sua linguagem interior, comunicando sobre: o que é, o que sente e o que pensa na relação consigo próprio e com o mundo à sua volta. Neste simpósio, participantes de todo o mundo poderão contar com um programa diversificado de workshops, palestras e outras actividades, conduzidos por professores universitários e especialistas europeus e norte-americanos com muita experiencia na área das Terapias expressivas/Arte-Terapia Intermodal e na área do Coaching. 

O simpósio visa proporcionar um espaço de experiências e reflexões sobre: como somos, como interagimos e como nos relacionamos, fazendo uso de suportes como as artes visuais, a música, o movimento, o teatro, o cinema e o clown.

A quem se destina e quais os objectivos?

Trata-se um evento de interesse para todos os Profissionais da saúde, educação, ensino especial, da arte-terapia e das diferentes áreas empresariais que estejam interessados na resolução de conflitos e na construção de espaços partilhados, independentemente da sua natureza (relacional, familiar ou profissional), através da expressão criativa e artística.

Ao longo de cinco dias os participantes terão a oportunidade de transferir esta aprendizagem para o seu contexto pessoal e também profissional num processo construído essencialmente com base na sensibilidade individual, mais que em aptidões artísticas específicas."

Cumprimentos,

Carla Ferreira
EXA Spring Symposium 2011 – Organizer
spring2011.artwork@gmail.com

Brevemente em Janeiro...

sábado, 8 de janeiro de 2011 by Patrícia Claudino
Estarei pelo Algarve, uma vez mais a partilhar com algumas pessoas de quem gosto muito e com outras que se queiram juntar, duas acções de formação. 

A primeira será em Santa Luzia - Tavira, no dia 17 de Janeiro  à qual dei o nome de "Apanhar Sol Por Dentro" - pretendendo ser um dia de trabalho introdutório sobre uma abordagem criativa à 3ª Idade. Qualquer coisa em que a minha amiga Luisa me provocou e eu respondi ao seu convite...

Esta é uma acção de formação teórico-vivencial, dirigida a todos os que trabalhem com a 3ª Idade e que queiram dedicar um dia a viver " como se fossemos idosos..."

 
 Na mesma semana, pelos dias 21 e 22, regressarei à Psimar com a 2ª Edição da Acção de formação: "Imaginação e Processo Criativo: Estratégias Terapêuticas na Intervenção com o Trauma". Esta formação tem a duração de dois dias, perspectivando a abordagem igualmente teórico-vivencial  fundamentada na utilização da Imaginação e do Processo Criativo como pilares na resolução de situações traumáticas.
Baseia-se no pressuposto de que na actualidade sabemos que na base de muitas doenças mentais e psicossomáticas, particularmente, as perturbações da personalidade tipo borderline, perturbações de vinculação, alimentação, comportamento auto-destrutivo e problemas relacionados com o medo e a somatização, se escondem experiências traumáticas como causa principal ou secundária. No entanto, por contraposição com as situações traumáticas, todas as pessoas dispõem de um grande potencial de forças auto-curativas, que podem ser estimuladas e fortalecidas, num processo terapêutico.
 
 
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