Refugio-me num livro de poemas de Sophia, a velha musa do "encontro" - comigo - em momentos em que à minha volta reinam os encontros repletos de "ausências". Seja pela crise, ou pelas crises que se sentem - derivadas desta ou de outras em ebulição, quais terramotos ou tsunamis da vida; seja pela tão anunciada chegada do FMI e o encontro com a inevitabilidade das constantes incertezas e confusão na nossa vida...hoje é um dia em que mergulho neste poema e em que sinto uma vez mais, seja em que cenário for e pelas razões que surjam, como nunca podemos esquecer que somos "o único homem do meu barco".
Dias correm em que reina a desconfiança, a instabilidade e o constante receio dos cenários que cruzam a nossa vida, cheios de crise, olhares vazios, descrentes e desconfiados; ainda assim vivos! ainda assim presentes! "nessa pátria onde o vento passa (...) e nunca acordo deste sonho e nunca durmo".
| autor desconhecido |
Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
[…]
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.
Sophia de mello breyner andresen

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