25 de Abril e FMI

segunda-feira, 25 de abril de 2011 by Patrícia Claudino
Viva o 25 de Abril!! Viva a Liberdade!!!! 
Hinos de um momento perdido no tempo e presente na memória colectiva. Hinos de um ideal e de uma revolução necessária; ecos de um momento tão distante quanto presente, tão necessário quanto díficil de concretizar. Difícil porque exige algo que se perdeu no tempo: a coesão, os princípios da solidariedade e da presença de todos numa só força.

Em vez disso, vivemos tempo em que todos comentam tudo, mas ninguém se une (seja por que causas for); todos criticam todos, mas ninguém faz nada "porque de nada servirá"...e porque "é o que temos", frases típicas de comiseração por sermos pequenos, por sermos portugueses, por sermos...individualistas e profundamente egoístas; cómodos no nosso papel, incomodados com a falta de ética em que vivemos e que criticamos tanto na classe política como a nível social; comiseramo-nos porque nos sentimos conduzidos por outros para a desgraça de todos, e perdidos neste discurso "oco e vazio" que produzimos e reproduzimos até à exaustão. Vivemos à sombra do que quereríamos ser, ter e não somos, nem temos: coragem, ética e coesão.

Contra mim falo, não me excluo desta nossa sociedade e forma de ser, mas preciso de dizer aqui e hoje aquilo que neste 25 de Abril me vai na alma: a descrença em que caímos à sombra dos ideais que outrora nos deram liberdade.
Faço então minhas as palavras do José Mário, e espero poder para o ano escrever aqui algo mais crente e poético: mas não este ano e não porque "seja o que faz falta para animar a malta".

Deixo aqui, por não ser só uma manifestação ideológica, mas porque é a manifestação de tudo quanto nos vai na cabeça e no coração dos comuns mortais e não menos importante, uma manifestação artística...José Mario Branco!!


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FMI, crise(s) e Sophia - a musa do "encontro"

quarta-feira, 6 de abril de 2011 by Patrícia Claudino
Refugio-me num livro de poemas de Sophia, a velha musa do "encontro" - comigo - em momentos em que à minha volta reinam os encontros repletos de "ausências". Seja pela crise, ou pelas crises que se sentem - derivadas desta ou de outras em ebulição, quais terramotos ou tsunamis da vida; seja pela tão anunciada chegada do FMI e o encontro com a inevitabilidade das constantes incertezas e confusão na nossa vida...hoje é um dia em que mergulho neste poema e em que sinto uma vez mais, seja em que cenário for e pelas razões que surjam, como nunca podemos esquecer que somos "o único homem do meu barco".

Dias correm em que reina a desconfiança, a instabilidade e o constante receio dos cenários que cruzam a nossa vida, cheios de crise, olhares vazios, descrentes e desconfiados; ainda assim vivos! ainda assim presentes! "nessa pátria onde o vento passa (...) e nunca acordo deste sonho e nunca durmo".

autor desconhecido


Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
[…]
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.

 Sophia de mello breyner andresen
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