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Nos Filmes falados na SHE, desta vez "Ponette"

domingo, 25 de setembro de 2011 by Patrícia Claudino
O mote começa, antes mesmo da sua apresentação na bela Sociedade Harmonia Eborense (no coração da Cidade de Évora), com um breve comentário escrito pelo Zé Manuel - organizador e alma deste espaço  - "Há duas maneiras de os mortos o estarem, há duas maneiras de os vivos viverem (isso). Mas não havia nenhuma maneira de levar uma criança de quatro anos a 'representá-lo', sendo actriz ao ponto de deixar de o ser: se milagre há neste filme, ele consiste, como toda a equipa técnica regista, em realizar o impossível; e não uma só vez, mas todas...".

É de Ponette que se fala...e falou-se pela noite dentro na passada segunda feira. À conversa sobre um tema que nunca é fácil de aceitar, mas que o filme nos apresenta a partir do olhar de uma criança, lá viajámos inebriados por esse olhar, pelo tema e pelos sentidos inexistentes da nossa vida. Um profundo momento de partilha, encontro e desnudar de pequenos fragmentos frágeis em nós mesmos...

Sobre Ponette e a partir do poema de Paul Celan (1966) "Não te escrevas", assim fluiram os meus pensamentos...


“A morte é uma flor”

“Não te escrevas
Entre os mundos,

Ergue-te contra
A variedade de sentidos,

Confia no rasto das lágrimas
E aprende a viver.”
Paul Celan (1966),  “Não te escrevas"

Escolho estas palavras do poema “Não te escrevas “ de Paul Celan por dele receber mais que uma dentre possíveis definições do processo de luto, um mote para a sua sobrevivência. Mote esse que à semelhança deste filme, nos convida a passearmo-nos de forma natural e explicita, pelos olhos,  vivências, elaborações e procura de sentido de uma criança de 4 anos, no seu luto pela perda (e morte) da sua mãe. Mais que um retrato do processo de luto, diria estarmos na presença de um tratado a um dos processos ancestrais, comuns e possíveis na história da humanidade: a morte do outro (e o possível confronto com o que fica vivo desse outro, em mim).
Vivemos numa época onde há pouco tempo para a tristeza (saudável) e menos ainda para o “tempo afectivo” que um processo de luto pode levar. Para “pessoas ocupadas” como nós,  este filme pode representar uma profunda aprendizagem para os que possam ver nele, mais que um filme de crianças e protagonizado por crianças, uma lição sobre a dor de perder alguém querido e a eterna verdade do que possa significar a elaboração de um processo de dor. 90 minutos de Ponette para adultos ocupados e com pouco “espaço” e “tempo” para, como as crianças, poder chorar, ficar tristes e lamentar a perda de alguém que não sentem estar preparados para deixar partir…viver entre dois mundos, acordar na confabulação e sonho dos sentidos, para confiar no rasto das lágrimas e reaprender a viver.
O convite é simples: caminhar lado a lado com Ponette na sua (nossa) narrativa de procurar sentidos à ausência de sentido que a perda possa significar. 90 minutos para olhar para os sentidos que surgem à volta desse processo que nos leva a encontrar nos outros, nas crenças e na espiritualidade, o sentido para continuarmos a aprender a viver e renascermos (com a ausência física dos outros), mas com a sua presença interior em nós.
Ponette, uma menina de quatro anos, viaja desde o despertar ressacado da ausência física da sua mãe ao reencontro com a sua mãe “interior” (não a de carne e osso, mas a sua mãe dentro de si), um processo ao qual o sentido existencial  apelida de “crescimento” e que representa um processo que decorre não somente na infância, senão ao longo da nossa vida, de como na sequência da perda dos que amamos, nos perdemos deles e de nós, até ao (possível) reencontro para dar voz ao que ficou por dizer e sentido à (sua) ausência. “Confia[r] no rasto das lágrimas e aprende[r] a viver” 
  

Évora, 19 de Setembro de 2011
Patrícia Claudino



... Uma fonte de inspiração: Anna Halprin

quarta-feira, 15 de junho de 2011 by Patrícia Claudino




Nouvelle Vauge & Anouar Brahem

segunda-feira, 1 de novembro de 2010 by Patrícia Claudino
25/10
Auditório da Gulbenkian bem composto, quatro homens num palco imenso e música com memória ancestral e um intenso cheiro a deserto, caminho e viagem...um tempo sem tempo e uma viagem sem espaço! 

(partilho Nouvelle Vague, não deste novo trabalho dele, mas uma das minhas preferidas de sempre dele & Richard Galliano)


[Momento de pausa]

segunda-feira, 4 de outubro de 2010 by Patrícia Claudino
Ashes and Snow
Há vários meses que tenciono partilhar estes vídeos neste espaço. Parecem-me sugestivos de algo muito primitivo no ser humano, muito embora, igualmente esquecido nos tempos que correm. E porque o cenário actual que nos circunda é de stress e incertezas, parece-me o momento para o partilhar, fazendo a sugestão da visita ao site da exposição, sempre e quando for necessário relaxar profundamente, numa dimensão que apesar de estranha, nos pode soar familiar por qualquer motivo ancestral.

Estes vídeos fazem parte de uma "sublime" colectânea fotográfica do artista canadiano Gregory Colbert acompanhado de 3 filmes (dois dos quais haikus) e um romance, todos eles companheiros de viagem de um museu itinerante, o Nomadic Museum (estrutura temporária exclusivamente concebida para acolher a exposição). A banda sonora é igualmente recomendável (Lisa Gerrard & Patrick Cassidy, Ashes and Snow)

Além da relação entre humanos e animais, tem o poder de elevar quem aprecie a uma espécie de delicioso encontro "com a alma".
 




Sugestões de visita(s) em Évora

quinta-feira, 22 de julho de 2010 by Patrícia Claudino
A título de curiosidade para quem seguiu o meu último post, o meu pequeno príncipe ainda se mantém no seu cada vez maior e mais pesado, planeta. A previsão da data de chegada à terra, ainda não está determinada, pois só ele a conhece, mas a data limite sim... 2 de Agosto! até lá, aguardamos...ANSIOSAMENTE!

Posta esta informação, a razão do post de hoje está associado a duas sugestões/convites para explorar e/ou visitar Évora, num dia próximo, num dos próximos meses ainda quentes...Digo isto porque, na verdade, ainda que o movimento cultural caminhe - ora aqui, ora ali -  pelas ruas da cidade, não é todos os dias que temos dois eventos sediados com esta grandiosidade artística, e que convido vivamente a visitar/admirar!



Falarei brevemente sobre a exposição de Francis Bacon que se encontra em exposição no Fórum Eugénio de Almeida, com uma série de 41 desenhos a lápis, estudos de várias figuras. Em meu ver, umas sem rosto - representação da população, mas com uma forte manifestação de dor e raiva, subentendidos...repito, trata-se da minha leitura pessoal sobre...
A outra categoria de imagens, em meu ver, retrata pessoas distintas com papéis de poder social, político e religioso; todas têm em comum a expressão de um molusco...não querendo correr o risco de uma interpretação excessiva, deixo o repto para a visita, e espaço para a curiosidade e outros olhares sobre...

Do meu ponto de vista, revejo ali material dos tempos modernos...uma espécie de divisão em estratos sociais e uma forte representação de classes! No que de mais íntimo, pessoal e intransmissível podem ter.

Mais informações em:
http://www.fundacaoeugeniodealmeida.pt/agenda_detail.asp?ID=175

 ...o segundo mote de conversa, traz associada alguma surpresa e encanto pela descoberta de algo que não se espera encontrar! Pois bem, passeando a pé por Évora num dos últimos dias passados, encontrei casualmente uma galeria de arte contemporânea, novinha em folha e ainda a cheirar a espaço (também ele) novinho em folha; durante a visita, a assistente explicou gentilmente num português castellhano, que outra parte da exposição estaria sediada no Palácio D. Manuel, em Évora...

Palavras para quê: deixo-vos algumas imagens...(sugestivas...)


 

mais informações em: 
http://www.arteinformado.com/Espacios/11120/two-heads-chicken-gallery/
Boas visitas...

As minhas memórias destorcidas

sábado, 5 de junho de 2010 by Patrícia Claudino

memórias destorcidas, upload feito originalmente por sensorealmente.

Ontem e hoje (3 & 4/Junho), no âmbito da exposição temporária de "Fotografia Contemporânea Turca: pelo prisma, não pela objectiva" agora exposta (de 1 a 27 de Junho 2010) no Fórum da Fundação Eugénio de Almeida (em Évora), tive a oportunidade de frequentar um workshop com Orhan Cem Cetin - fotógrafo e conferencista da Istambul Bilgi University...(e cá entre nós, igualmente psicólogo - formação base). Pormenores aparte, o workshop tinha como foco central uma exploração da memória humana através de fotografias, objectos coleccionados e palavras.

No primeiro dia, o worhshop centrou-se na "relação entre a fotografia e a dinâmica da memória humana. A forma como usamos a fotografia para validar a nossa interpretação do passado. A fotografia é útil ou por vezes dificulta as coisas? Utilizamos imagens fotográficas para construir falsas memórias?" e teve igualmente uma parte para trabalharmos algumas técnicas de grande plano simples recorrendo a uma máquina fotográfica digital e a uma lupa manual grande...

No segundo dia, hoje portanto...estivémos a trabalhar e posteriormente apresentámos...imagens de memórias nossas!! escolhi fazer uma retrospectiva pela vida do meu avô António.
O mote foi lançado...aqui deixo algumas imagens da minha viagem!


Balunar

terça-feira, 25 de maio de 2010 by Patrícia Claudino
Desta feita trago a este espaço: BALUNAR, uma instalação vídeo/áudio 35 minutos, 300 balões de látex pretos, brancos e translúcidos de vários tamanhos...de Jorge Mantas e Susana Mourão (duas pessoas de quem gosto e aprecio tê-los perto!!!). Na galeria de Arte em Arraiolos: Lobo Mau...

Posted by Picasa

"Os balões fazem-nos sonhar. Eles remetem-nos invariavelmente para a nossa infância. Aquela altura da vida em que tudo parece simples, e os pequenos momentos de felicidade podem depender de um brinquedo tão simples como um balão. Imprevisível, volátil e barato, o balão é, se quisermos, o objecto etéreo por excelência, na medida em que habita o próprio ar, e efémero devido à sua extrema fragilidade. Se o enchermos com o nosso fôlego, ele adquire na sua forma um pouco de nós, da nossa própria essência interior. Capaz de proporcionar uma experiência sensorial quase total - apela aos sentidos do tacto, visão e audição - o balão propõe-nos ao mesmo tempo uma certa noção de sensualidade estética, derivada da sua forma, textura e cor.

Balunar propõe um espaço imersivo de encantamento. Planetas em misteriosas órbitas, corpos celestes que se acariciam, superfícies e texturas insinuantes numa viagem ao fundo da noite, Balunar é o regresso ao mundo imaginárioda fantasia. O público é convidado a interagir com os balões fazendo também de balunar uma zona de ambiguidade emocional e, no limite, um espaço poético em constante mutãção, onde melhor se experimenta a geografia instável dos sonhos."

"NoBalunarlunarluarvoarsonharsoprarsaltarchamardançartocarencostaraconhegarlibertar
conversaramarbeijarabraçarapertarentrarpenetrarfecharrelacionarandarapalparhabitarproporcionar
experimentarformarutilizarrecriarconsiderarencantarregressarimaginarfantasiaremocionar
vamosbalunar?"

Jorge Mantas & Susana Mourão


A mim resta-me partilhar sensações... visuais, auditivas e sensoriais! Ficaram na minha memória diferentes histórias em diferentes actos; no primeiro, a história de um corpo em angústia, na constante mutação de cada segundo, numa constante busca por...algo! Num segundo acto, um encontro entre dois corpos, a tentativa de um entranhar emaranhado em momentos de aproximações e tensões. Um terceiro momento de corpo...toque, carícia & AMOR profundo!


Toda uma experiência acompanhada por balões pretos, brancos e translúcidos, como se o convite fosse um regressar à infância e experimentar revivê-la!

Um trabalho nada explícito com um grau q.b artístico/abstracto...até dia 29 deste mês, no Lobo MAU!!!

Hasselblad Award 2010 para Sophie Calle

sexta-feira, 23 de abril de 2010 by Patrícia Claudino
Soube recentemente que Sophie Calle, uma das minhas fotógrafas de eleição, foi homenageada com o Hasselblad Award que distingue anualmente um fotógrafo, pelo seu trabalho...eis aqui a justificação a Hasselblad Foundation pela sua selecção deste ano:


For more than three decades, French artist Sophie Calle has been questioning and challenging the relationship between text and photography, private and public personae, truth and fiction, in a groundbreaking, utterly original way. Her conceptually oriented work depicts human vulnerability and examines the interrelationship between identity and intimacy as well as the construction of official history. It evokes narrative, affect and emotion in ways that at the same time touch the viewer deeply and makes her reflect on the possibilities as well as limits of photography. Her contribution to the understanding of the medium of photography has inspired younger generations of artists.

E aqui vos deixo algumas imagens e links para o trabalho da Sophie...para vosso deleite!





alkantara convida | 21 abril, 18h00: apresentação do alkantara festival 2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010 by Patrícia Claudino

Uma amiga enviou-me um email a sugerir este encontro no espaço alkantara, na próxima quarta-feira 21 de Abril, às 18h00, para apresentação do alkantara festival 2010. No convite consta que "de 21 de Maio a 9 de Junho, artistas dos quatro cantos do Mundo chegam a Portugal para ocupar vários palcos de Lisboa e do Porto, num evento que acolhe mais de 30 performances de dança, de teatro e de tudo o que se encontra entre elas".

Este momento, na próxima quarta feira, "marca o pontapé de saída simbólico do festival, exactamente um mês antes do seu início". Sugestivo, não??? 

Mais informações em...http://www.alkantarafestival.pt/festival/index.pt