"Máquina de fazer espanhóis" e valter hugo mãe

segunda-feira, 1 de novembro de 2010 by Patrícia Claudino
Durante vários meses este livro esteve perto de mim: na cabeceira da minha cama, na minha bolsa ou no meu imaginário; numa espécie de encontro com alguém que me é muito caro e que partiu deste mundo não faz muito tempo; numa espécie de procura por entender o que poderá ser viver na pele de alguém de 84 anos, e que de um momento para outro vê-se forçado a (re)inventar-se numa vida onde não existem sonhos, expectativas e na mala se leva pouco mais que dois ou três objectos pessoais e um vazio silencioso (à espera do dia da sua morte).
Uma intensa estória sobre o que resta, o que foi e como é a vida e o fim dela num homem de 84 anos. Uma narrativa muito intimista sob o olhar de um idoso, actor e personagem desse Portugal do século XX.

1. "Eu respondi que o tempo não era linear. Preparem-se sofredores do mundo, o tempo não é linear. a lógicas distantes e que se vão sucedendo uns aos outros respondo o sofredor e qualquer outro indivíduo, novamente num certo ponto de partida. é fácil de entender. quando queremos que o tempo nos faça fugir de alguma coisa, de um acontecimento, inicialmente contamos os dias, às vezes até as horas, e depois chegam as semanas triunnfais e os longos meses e depois os didácticos anos. mas para chegarmos aí temos de sentir o tempo também de outro modo. 
(...) 
o tempo guarda cápsulas indestrutíveis porque por mais dias que se sucedam, sempre chegamos a um ponto onde voltamos atrás, a um início qualquer, para fazer pela primeira vez alguma coisa que nos vai dilacerar impiedosamente porque nessa cápsula se injecta também a nitidez do quanto amávamos quem perdemos,  a nitidez do seu rosto, que por vezes se perde mas ressurge sempre nessas alturas, até o timbre da sua voz, chamando o nosso nome ou, mais cruel ainda, dizendo que nos ama com um riso incrível pelo qual nos havíamos justificado em mil ocasiões do mundo"

1. valter hugo mãe, a máquina de fazer espanhóis, Alfaguarda, 2010, (124, 125 p.).
  
outas sugestões implicadas:
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[retalhos de um mês passado]

by Patrícia Claudino
Nos tempos que correm, perdi por minutos, horas e dias o tempo que semanalmente procuro dispensar para este espaço. O mês de Outubro, à semelhança do de Setembro, e por consequência do Agosto, não foram mais que dias corridos com muita acção e pouca reflexão! 

Hoje, 1º dia de Novembro, decido parar para pôr em dia os vários posts dos "meandros dessa vida" do mês de Outubro. Algumas ideias soltas, não mais que pensamentos vagos assumem forma, corpo e expressão!
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[Momento de pausa]

segunda-feira, 4 de outubro de 2010 by Patrícia Claudino
Ashes and Snow
Há vários meses que tenciono partilhar estes vídeos neste espaço. Parecem-me sugestivos de algo muito primitivo no ser humano, muito embora, igualmente esquecido nos tempos que correm. E porque o cenário actual que nos circunda é de stress e incertezas, parece-me o momento para o partilhar, fazendo a sugestão da visita ao site da exposição, sempre e quando for necessário relaxar profundamente, numa dimensão que apesar de estranha, nos pode soar familiar por qualquer motivo ancestral.

Estes vídeos fazem parte de uma "sublime" colectânea fotográfica do artista canadiano Gregory Colbert acompanhado de 3 filmes (dois dos quais haikus) e um romance, todos eles companheiros de viagem de um museu itinerante, o Nomadic Museum (estrutura temporária exclusivamente concebida para acolher a exposição). A banda sonora é igualmente recomendável (Lisa Gerrard & Patrick Cassidy, Ashes and Snow)

Além da relação entre humanos e animais, tem o poder de elevar quem aprecie a uma espécie de delicioso encontro "com a alma".